Guilherme Benchimol

Fundador da XP Inc.
NPS
Nacionalidade
Brasileiro
Ocupação
Fundador da XP Inc.
Nome Completo
Guilherme Dias Fernandes Benchimol
Formação
Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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Guilherme Benchimol é o fundador e presidente do conselho de administração (chairman) da XP Inc., uma das maiores empresas de investimentos do Brasil. Em dezembro de 2019, a XP abriu capital na Nasdaq e chegou a ser avaliada em cerca de R$ 62,5 bilhões, resultado de uma trajetória que começou com cursos de investimento em Porto Alegre. Saiba mais sobre a trajetória de Guilherme Benchimol, seus principais feitos e o que aprender com sua história.

Perfil

Quem é Guilherme Benchimol?

Guilherme Benchimol é um empresário e economista brasileiro, fundador da XP Inc. e presidente do seu conselho de administração. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1976, filho do cardiologista Cláudio Benchimol e da artista plástica Lígia. Formou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e começou a carreira aos 18 anos, como estagiário em corretoras cariocas.

É reconhecido por ter fundado a XP em maio de 2001, em Porto Alegre, ao lado de Marcelo Maisonnave, e por transformar um escritório de agentes autônomos em uma das maiores plataformas financeiras do país, que abriu capital na Nasdaq em dezembro de 2019. Em março de 2021, deixou o cargo de CEO, assumido por Thiago Maffra, e passou a atuar como chairman.

Forbes estimou sua fortuna em US$ 1,6 bilhão em 2025, cerca de R$ 9,1 bilhões, colocando Benchimol na 29ª posição do ranking brasileiro de bilionários. No auge após o IPO, em 2020, o patrimônio chegou a R$ 15,5 bilhões. Sua história é tema do livro-reportagem Na Raça, da jornalista Maria Luiza Filgueiras. Benchimol é casado com Ana Clara Sucolotti, ex-estagiária e ex-sócia da XP, e pai de três filhas.

trajetória

Da demissão em 2000 ao IPO da XP: a trajetória de Guilherme Benchimol

A trajetória de Guilherme Benchimol começou longe do sucesso. Ele chegou a pensar em seguir a medicina, como o pai e o avô, mas escolheu Economia depois de ler, na adolescência, uma reportagem da revista Exame sobre Luiz Cezar Fernandes, fundador do Pactual. No início da carreira, passou por posições de back office nas corretoras Sênior e Icatu, no Rio de Janeiro, sem conseguir a vaga que queria em mesa de operações.

O primeiro ponto de virada veio na Investshop, startup do banco Bozano voltada a atrair investidores pessoa física. Foi ali que Benchimol venceu a timidez e descobriu vocação para a área comercial. Com o estouro da bolha das empresas de internet, em 2000, a operação minguou e ele foi demitido aos 24 anos, episódio que encarou como derrota pessoal.

Sem espaço no Rio, mudou-se para Porto Alegre para trabalhar na corretora Diferencial. Pouco depois, a CVM regulamentou a profissão de agente autônomo de investimento, e Benchimol foi um dos primeiros a se certificar no país. Em maio de 2001, ao lado do colega Marcelo Maisonnave, fundou um escritório de agentes autônomos com capital inicial de cerca de R$ 15 mil, dois estagiários e dez computadores usados comprados em uma lan house, tudo instalado em uma sala de 25m² no bairro Moinhos de Vento. Nascia a XP.

O nome veio de improviso: Benchimol sugeriu a sigla XPTO como algo provisório, e Maisonnave propôs usar apenas XP, de expertise. Sem dinheiro para pagar a estagiária, os sócios deram 10% da empresa a Ana Clara Sucolotti, que virou a terceira sócia. O modelo só engrenou quando a dupla percebeu que precisava ensinar as pessoas a investir antes de vender qualquer produto, e apostou na educação financeira, com cursos anunciados no jornal Zero Hora e ministrados aos fins de semana.

a empresa

XP Inc.: da sala em Porto Alegre ao IPO na Nasdaq

A XP Inc. nasceu da ideia de dar ao investidor pessoa física acesso a uma plataforma aberta de produtos financeiros, com assessoria, em vez de deixá-lo preso às opções caras dos grandes bancos. O modelo foi inspirado na americana Charles Schwab, que Benchimol conheceu em uma viagem aos Estados Unidos, e se apoiou em uma ampla rede de agentes autônomos de investimento espalhados pelo país.

Nos primeiros anos, a XP escalou vendendo cursos de investimento e montando escritórios parceiros no Sul. Em 2007, comprou a corretora Americainvest e virou uma corretora de valores. O salto seguinte veio com o capital de fundos: em 2010, a gestora Actis avaliou a XP em R$ 500 milhões, e depois entrou a General Atlantic, preparando a empresa para crescer em escala nacional.

A consolidação passou por aquisições como Clear (2014) e Rico (2016), além da compra do portal InfoMoney, em 2011. Em dezembro de 2018, o grupo passou por rebranding e adotou a marca XP Inc., unificando XP Investimentos, Rico, Clear e InfoMoney sob a mesma holding.

Em dezembro de 2019, a XP abriu capital na Nasdaq, com a ação saindo a US$ 27, acima da faixa indicativa. A empresa foi avaliada em cerca de R$ 62,5 bilhões no câmbio do dia (US$ 14,9 bilhões) e captou US$ 2,25 bilhões na oferta, o nono maior IPO do mundo no ano. A opção pela Nasdaq, em vez da B3, seguiu o caminho de outras empresas brasileiras de tecnologia, como PagSeguro e Stone. Nos anos seguintes, a XP passou a operar como banco e lançou cartão de crédito, ampliando a concorrência direta com Bradesco, BTG Pactual e as plataformas digitais.

Sob a estrutura atual, a XP é listada na Nasdaq (ticker XP) e negociada na B3 via BDRs (XPBR31). A empresa tem mais de 3 mil funcionários, milhares de assessores de investimento e uma base que ultrapassa 4 milhões de clientes ativos, com ativos sob custódia próximos de R$ 1 trilhão. Com esse porte, a XP se firmou como a principal plataforma independente de investimentos do Brasil e uma das forças que pressionaram os grandes bancos a reduzir taxas e ampliar a oferta de produtos ao investidor pessoa física.

itaú

A negociação entre XP e Itaú Unibanco: o embate societário que redesenhou o mercado

A entrada do Itaú Unibanco no capital da XP foi anunciada em maio de 2017 como uma das maiores transações societárias já vistas no mercado financeiro brasileiro. O banco comprou 49,9% da XP por R$ 6,3 bilhões, com opção de assumir o controle acionário em etapas subsequentes previstas em acordo.

A operação passou por rígida avaliação do Cade e do Banco Central. Em 2018, o Bacen aprovou o negócio com restrições que impediam o Itaú de obter o controle da corretora, para preservar a concorrência no mercado de investimentos. Nos anos seguintes, o Itaú chegou a deter 46,05% da XP.

A relação começou a se desfazer no fim de 2020. Em novembro daquele ano, o Itaú anunciou a intenção de cindir sua participação na XP e criou a XPart, holding que receberia as ações da corretora. Em dezembro de 2020, o banco vendeu 5% da XP em oferta pública, arrecadando cerca de R$ 5 bilhões. Em julho de 2021, o Bacen aprovou a cisão, e no dia 1º de outubro do mesmo ano os acionistas aprovaram a fusão entre XPart e XP. A partir de 4 de outubro de 2021, os BDRs da XP começaram a ser negociados na B3 sob o ticker XPBR31.

O desfecho colocou o Itaú Unibanco fora da administração da corretora, embora Itaúsa e Iupar, ligadas à família controladora do banco, tenham mantido participação relevante na XP e assento no conselho. Para Benchimol, o episódio confirmou a tese de independência da corretora frente aos grandes bancos, condição que ele defendia desde a fundação.

fortuna

Qual é a fortuna de Guilherme Benchimol?

A fortuna de Guilherme Benchimol foi estimada em US$ 1,6 bilhão pela Forbes em 2025, o equivalente a cerca de R$ 9,1 bilhões, colocando o empresário na 29ª posição do ranking brasileiro de bilionários daquele ano. O pico do patrimônio foi registrado em 2020, quando as ações da XP dispararam no primeiro ano após o IPO, e a Forbes chegou a estimar sua riqueza em R$ 15,5 bilhões.

A oscilação do patrimônio acompanha o desempenho da XP na Nasdaq, principal ativo de Benchimol. Em junho de 2025, a XP Inc. estava avaliada em R$ 56,3 bilhões, abaixo dos R$ 62,5 bilhões marcados no IPO de 2019, mas ainda entre as maiores empresas brasileiras listadas no exterior. Benchimol detém participação minoritária relevante na companhia, e é essa fatia que responde pela maior parte do seu patrimônio pessoal. Em 2018, ele foi eleito uma das 50 pessoas mais influentes do mundo pela Bloomberg, único brasileiro na lista.

ideias & frases

Frases e o método de gestão de Guilherme Benchimol

O estilo de gestão de Guilherme Benchimol combina o modelo de partnership, inspirado no antigo Banco Garantia de Jorge Paulo Lemann, com uma cultura que trata o erro como parte do aprendizado. Ele costuma dizer que estimula os times a errar, desde que aprendam rápido, e é conhecido por resumir a pressão da vida empreendedora de forma direta.

Empresário é quem vive na neurose de manhã e no medo à noite.

Em textos publicados no LinkedIn, Benchimol descreve a trajetória de fundador como uma sequência de três crises: crise de existência, crise de crescimento e crise de identidade. Segundo ele, cada fase exige uma versão diferente do próprio empreendedor.

Nos primeiros anos em Porto Alegre, eu abria uma conta por mês. Vendi o carro, dei aula de investimentos em hospital, panfletei nos bairros mais ricos da cidade para começar a fazer a roda girar.

Essa visão, marcada pela obsessão por crescimento e pela tolerância ao risco, aparece em suas palestras e no Expert XP, o grande evento anual de investimentos organizado pela empresa e considerado um dos maiores do mundo no setor. Sua trajetória virou livro-reportagem em 2019, com Na Raça, escrito por Maria Luiza Filgueiras (Editora Intrínseca), e é tema recorrente em conteúdos sobre empreendedorismo e mercado financeiro no Brasil. Benchimol também assina capítulo em Fora da Curva 2 (2020), coletânea sobre grandes investidores brasileiros.

família

Família e vida pessoal de Guilherme Benchimol

Guilherme Benchimol nasceu e cresceu no Rio de Janeiro, em uma família ligada à medicina: o pai, Cláudio Benchimol, foi cardiologista e professor universitário, e o avô também era médico. Chegou a considerar seguir a mesma carreira, mas mudou de rumo depois de conhecer, ainda na adolescência, a história de Luiz Cezar Fernandes.

Benchimol é casado com Ana Clara Sucolotti, gaúcha da cidade de Tapera, que começou como estagiária da XP em 2001 e se tornou uma das primeiras sócias da empresa. O casamento aconteceu em 2005, e o casal tem três filhas. Ana Clara trabalhou na corretora até 2011, quando deixou a operação para se dedicar à família.

Apesar da projeção pública como fundador da XP, Benchimol mantém a maior parte da rotina familiar reservada e concentra sua exposição em temas de negócios, gestão e mercado. É corredor amador, com histórico em maratonas, e diz preferir viagens a lugares calmos e com muita natureza em vez de grandes eventos e badalações.

Perguntas frequentes sobre Guilherme Benchimol

Quem é Guilherme Benchimol?

Guilherme Benchimol é um empresário e economista brasileiro, fundador e chairman da XP Inc., uma das maiores plataformas de investimentos do país. Nascido no Rio de Janeiro em 1976, criou a XP em maio de 2001, em Porto Alegre, ao lado de Marcelo Maisonnave, e a levou à abertura de capital na Nasdaq em dezembro de 2019, mudando a forma como os brasileiros investem.

Qual é a fortuna de Guilherme Benchimol?

A fortuna de Guilherme Benchimol foi estimada em US$ 1,6 bilhão pela Forbes em 2025, cerca de R$ 9,1 bilhões, o que o coloca na 29ª posição da lista de bilionários brasileiros. O patrimônio já chegou a R$ 15,5 bilhões em 2020, no pico após o IPO, e oscila conforme a valorização das ações da XP Inc. na Nasdaq.

Como surgiu a XP?

A XP surgiu em maio de 2001, em Porto Alegre, quando Guilherme Benchimol e Marcelo Maisonnave abriram um escritório de agentes autônomos de investimento com cerca de R$ 15 mil, dois estagiários e dez computadores usados em uma sala de 25m². O negócio deslanchou ao apostar na educação financeira, dando cursos para ensinar as pessoas a investir na Bolsa antes de oferecer produtos.

Guilherme Benchimol saiu da XP?

Guilherme Benchimol não saiu da XP, mas mudou de função. Em março de 2021, ele deixou o cargo de CEO, que passou a ser ocupado por Thiago Maffra, e assumiu a presidência do conselho de administração como chairman. Nessa posição, segue influente na estratégia e na cultura da empresa que fundou, além de manter participação acionária relevante.

Onde nasceu Guilherme Benchimol?

Guilherme Benchimol nasceu no Rio de Janeiro em 1976. Foi na capital fluminense que começou a carreira, em posições de back office nas corretoras Sênior e Icatu, antes de se mudar para Porto Alegre e fundar a XP em 2001. Hoje a sede administrativa da XP fica em São Paulo, no bairro Itaim Bibi.

Quanto vale a XP hoje?

A XP é uma empresa de capital aberto listada na Nasdaq sob o código XP, com BDRs negociados na B3 (XPBR31). Em junho de 2025, a XP Inc. era avaliada em cerca de R$ 56,3 bilhões, valor que oscila diariamente conforme o desempenho das ações. No IPO de 2019, a empresa saiu com avaliação próxima de R$ 62,5 bilhões.

Guilherme Benchimol é dono da XP?

Guilherme Benchimol é o fundador e um dos principais acionistas da XP Inc., além de presidente do conselho de administração. A empresa, porém, tem capital aberto e outros sócios relevantes, como Itaúsa e Iupar, ligadas ao Itaú Unibanco, além de fundos e investidores da Nasdaq. Benchimol não é o dono único, mas é a figura central da história da XP.

Por que o Itaú comprou parte da XP?

O Itaú Unibanco comprou 49,9% da XP em maio de 2017, por R$ 6,3 bilhões, buscando entrar no mercado de investimentos para pessoa física, no qual a XP já era líder. O negócio foi aprovado pelo Cade e pelo Banco Central com restrições que impediam o Itaú de assumir o controle da corretora, e acabou desfeito em 2021, quando o banco cindiu sua participação em uma nova empresa, a XPart, depois fundida à XP.